Fissuras aparecem em quase toda edificação, e a maioria não oferece risco. Algumas, porém, são o primeiro sinal de um problema que pode se agravar. Saber observar ajuda a decidir quando basta acompanhar e quando é preciso uma avaliação técnica.
Fissura, trinca e rachadura
No dia a dia, os termos são usados conforme a largura da abertura na parede. Uma nomenclatura usual, sem rigor normativo, é:
- Fissura: abertura fina, como um fio de cabelo, geralmente superficial;
- Trinca: abertura maior, que já pode atravessar o revestimento;
- Rachadura: abertura larga, por onde às vezes passa luz ou ar.
Mais importante do que o nome é observar o comportamento: forma, posição, se está aumentando e se vem acompanhada de outros sintomas.
Sinais que costumam ser menos preocupantes
- Fissuras finas e irregulares no reboco, em forma de mapa, muitas vezes ligadas à retração da argamassa;
- Fissuras na junção entre parede e laje ou entre materiais diferentes, causadas por movimentação térmica;
- Fissuras que surgiram nos primeiros meses após a obra e não aumentaram.
Mesmo nesses casos, vale registrar e acompanhar.
Sinais de alerta
Procure avaliação técnica se observar:
- Fissuras inclinadas a cerca de 45 graus, principalmente a partir dos cantos de portas e janelas, que podem indicar recalque da fundação;
- Fissuras em vigas, pilares ou lajes, sobretudo com manchas de ferrugem ou concreto desplacando;
- Aumento da abertura ao longo de semanas ou meses;
- Portas e janelas que passaram a emperrar;
- Piso desnivelado ou com afundamento;
- Trincas que aparecem logo após uma obra vizinha, escavação ou reforma no próprio prédio.
Como acompanhar uma fissura
Um acompanhamento simples já gera informação útil para a avaliação:
- Fotografe a fissura com uma régua ou trena ao lado, sempre do mesmo ponto.
- Marque as extremidades com lápis e anote a data.
- Repita o registro a cada duas ou três semanas.
Se as extremidades avançarem além das marcas ou a abertura aumentar, a fissura está ativa e precisa de diagnóstico.
O que a avaliação técnica faz
No laudo de patologias, a engenheira analisa o padrão das fissuras, a estrutura e o histórico da edificação para identificar a causa provável e o grau de risco. Só depois disso é possível definir o reparo correto. Tratar uma fissura ativa apenas com massa e pintura esconde o sintoma, mas a fissura volta, e o problema de origem continua.
Em caso de risco aparente, como peças estruturais deformadas, estalos ou desplacamento de concreto, afaste as pessoas do local e procure ajuda técnica imediatamente.
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Poliana Kaline Alves Simplicio
Engenheira civil (CREA-DF 32718/D-DF), especialista em engenharia diagnóstica e perita judicial cadastrada no TJDFT e no TJPE. Responsável técnica da Polis Engenharia Diagnóstica.